Spectrum 2.0

Review of 'Horace in the Mystic Woods'

Rating:5 User: DanielBzD

Este é talvez o melhor jogo de plataforma de todos os tempos. Não o meu preferido, veja bem. Mas ainda assim, o melhor. Ele parte de um princípio comum a outros jogos de plataforma do Spectrum, que eu chamo de "pulo rígido". Quando você pula, o personagem segue um arco determinado; não há como mudar a direção ou a altura. Isso faz com que as fases - de uma tela só - se tornem um pouco menos ação e um pouco mais quebra-cabeça. Mas Horace in the Mystic Woods vai mais além e adiciona um elemento de inércia.

Claro que esse elemento em si não deve supreender ninguém que tenha jogado Mario nessa vida, mas aqui acaba tem um impacto muito maior. Há uma grande variação na velocidade de Horace, dependendo do impulso, e ele pode ricochetear das paredes, e isso, combinado com o design intrincado das fases, rende belos desafios - você quer passar por determinada parte em determinado arco, para isso tem que ter velocidade tal, pulando do ponto tal, então tem que começar a correr do ponto tal!

Esses elementos simples que levam a desafios complexos. É algo belo, orgânico, e o design das fases flui naturalmente. Não era necessário adicionar outros elementos (como plataformas que ficam invisíveis), mas estes não atrapalham (muito).

Isso não é dizer que o jogo não tem falhas. Às vezes a detecção de colisão falha e Horace entra um pouquinho nas paredes. Às vezes a caixa de colisão de partes perigosas é grande demais. Tudo isso, apesar de contrariar a intuição, foi levado em consideração no design das fases. Mas o pior não é isso. Algumas fases são terríveis demais, mau design mesmo. Tem uma, se não me engano, a 51, onde você tem que esperar 20 segundos por uma brecha entre inimigos, para chegar numa seqüência de pulos dificílima. Você morre, é claro, e tem que esperar mais 20 segundos... eu tentei essa fase dezenas de vezes, com três vidas por vez, então foram dezenas de minutos parado, esperando.

Eu pensei seriamente se esse jogo merecia a nota máxima, considerando essas falhas, e acho que sim. As partes feias não chegam a tirar a beleza das outras.

Vale dizer aqui que joguei no modo difícil (influenciado pelo Dunkey), mas não faz tanta diferença. Só o que muda é velocidade dos inimigos (talvez a fase 51 seja menos irritante no modo fácil), e muitas vezes isso não é determinante na dificuldade das fases, e sim a dificuldade dos pulos em si. No menu inicial, você tem a opção de jogar da primeira fase (e ver até onde você chega, quantos pontos faz), e a de jogar da última fase em que você chegou (são 64, e infelizmente não dá pra escolher voltar pra uma mais antiga). Entre jogar pra pontuar e jogar pra dar final, já gastei 12 horas nesse jogo, e sinto que é um que eu vou sempre voltar a jogar de vez em quando.